terça-feira, 11 de setembro de 2007

Uma maçã é uma maçã, não é uma perna de perú assada!


"Aquele era o tempo

Em que as mãos se fechavam

E nas noites brilhantes as palavras voavam,

Eu via que o céu me nascia dos dedos

E a Ursa Maior eram ferros acesos.

Marinheiros perdidos em portos distantes,

Em bares escondidos,

Em sonhos gigantes.

E a cidade vazia,

Da cor do asfalto,

E alguém me pedia que cantasse mais alto.


Quem me leva os meus fantasmas,

Quem me salva desta espada,

Quem me diz onde é a estrada?


Aquele era o tempo

Em que as sombras se abriam,

Em que homens negavam

O que outros erguiam.

E eu bebia da vida em goles pequenos,

Tropeçava no riso, abraçava venenos.

De costas voltadas não se vê o futuro

Nem o rumo da bala

Nem a falha no muro.

E alguém me gritava

Com voz de profeta

Que o caminho se faz

Entre o alvo e a seta.


Quem leva os meus fantasmas,

Quem me salva desta espada,

Quem me diz onde é a estrada?


De que serve ter o mapa

Se o fim está traçado,

De que serve a terra à vista

Se o barco está parado,

De que serve ter a chave

Se a porta está aberta,

De que servem as palavras

Se a casa está deserta?


Quem me leva os meus fantasmas,

Quem me salva desta espada,

Quem me diz onde é a estrada?"


Abrunhosa, o eterno génio. O meu músico de eleição desde os 8 / 9 anos até hoje. Gosto muito das letras dele, sinto-as muitas vezes como escritas para mim, e outras vezes escritas para pessoas que eu conheço. Já me aconteceu perante várias situações, pensar: "O Abrunhosa é que tem razão! Naquela música ele dizia ++fsf+=of* e é mesmo isso!"

Nem sempre estou assim tão perdida à procura da estrada, mas outras vezes estou.

Os meus versos preferidos desta música são: "De costas voltadas não se vê o futuro, nem o rumo da bala, nem a falha no muro. E alguém me gritava, com voz de profeta, que o caminho se faz entre o alvo e a seta".

É assim mesmo. Por isso é que me esforço sempre por não estar de costas voltadas, porque assim não consigo ver o futuro, nem uma bala que possa vir na minha direcção para me atingir, e também não verei a falha no muro, que pode ser onde eu possa apoiar um pé para trepar, e transpôr esse obstáculo!

E depois vem a parte entre o alvo e a seta, que para mim é uma imagem muito boa.

Esta música ou esta letra abre portas a muitos dilemas. Fico muito tempo a pensar nestas questões, à procura de soluções para problemas que muitas vezes sou eu mesma que os formulo.

Às vezes gostava de ser mais simples.

Ah! Lembrei-me agora de uma frase de um escritor conhecido, julgo eu, sobre o Paraíso e Adão e Eva que diz qualquer coisa como "Se vos perdestes por uma maçã, imagino o que não terieis feito por uma perna de perú assada!". Gosto mesmo muito desta frase.

A verdade é que nos perdemos muitas vezes por coisas insignificantes, que por algum motivo são muito tentadoras!

Não nos podemos esquecer, uma maçã será sempre e só uma maçã!


P.S. - Vou parar por aqui que hoje estou com tendência para a divagação, e tenho malas para fazer! =)

Sem comentários:

Saltarei sempre de costas: o importante é ter uma boa rede.