
"Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
Eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.
Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?
Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.
Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?
De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?
Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"
Abrunhosa, o eterno génio. O meu músico de eleição desde os 8 / 9 anos até hoje. Gosto muito das letras dele, sinto-as muitas vezes como escritas para mim, e outras vezes escritas para pessoas que eu conheço. Já me aconteceu perante várias situações, pensar: "O Abrunhosa é que tem razão! Naquela música ele dizia ++fsf+=of* e é mesmo isso!"
Nem sempre estou assim tão perdida à procura da estrada, mas outras vezes estou.
Os meus versos preferidos desta música são: "De costas voltadas não se vê o futuro, nem o rumo da bala, nem a falha no muro. E alguém me gritava, com voz de profeta, que o caminho se faz entre o alvo e a seta".
É assim mesmo. Por isso é que me esforço sempre por não estar de costas voltadas, porque assim não consigo ver o futuro, nem uma bala que possa vir na minha direcção para me atingir, e também não verei a falha no muro, que pode ser onde eu possa apoiar um pé para trepar, e transpôr esse obstáculo!
E depois vem a parte entre o alvo e a seta, que para mim é uma imagem muito boa.
Esta música ou esta letra abre portas a muitos dilemas. Fico muito tempo a pensar nestas questões, à procura de soluções para problemas que muitas vezes sou eu mesma que os formulo.
Às vezes gostava de ser mais simples.
Ah! Lembrei-me agora de uma frase de um escritor conhecido, julgo eu, sobre o Paraíso e Adão e Eva que diz qualquer coisa como "Se vos perdestes por uma maçã, imagino o que não terieis feito por uma perna de perú assada!". Gosto mesmo muito desta frase.
A verdade é que nos perdemos muitas vezes por coisas insignificantes, que por algum motivo são muito tentadoras!
Não nos podemos esquecer, uma maçã será sempre e só uma maçã!
P.S. - Vou parar por aqui que hoje estou com tendência para a divagação, e tenho malas para fazer! =)

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