domingo, 25 de maio de 2008

O falso amigo


As novas tecnologias facilitam muito as relações; ou pelos menos agilizam. Passamos o dia a trocar mensagens com os amigos, falamos com toda a gente pelo MSN quando estamos longe, e quando estamos perto, continuamos a falar com todos pelo mesmo meio.
Quem não viveu o advento do IRC em que era aliciante falar com estranhos, que de repente sabiam mais sobre nós que os nossos próprios pais!?
Por detrás de um computador somos mais desinibidos, dizemos coisas que na realidade nos fariam corar e entrar pelo chão dentro! - A "corte descarada" é mais fácil.
Depois surgem promoções de 1500 SMS por semana! (Existirá alguém que ultrapasse este limite?)
Tantos SMS dão para tudo! As SMS de "Bom dia", as SMS de "tenho saudades", as SMS de "anda ter cmg", as SMS de "Boa Noite", logo seguida de outra que completa a primeira: "Meu Amor!", e outra que diga "Bons Sonhos", e depois a resposta pronta de "Para ti tb", e uma seguinte: "sonha cmg", com a resposta "sonho smp", e etc, etc, etc, etc, etc, etc... e com isto menos 30 minutos de sono!
É mais fácil expressar sentimentos instantâneos, sentimentos que seriam guardados, para uma partilha mais íntima e pessoal, mais tarde.
Ao mais pequeno interesse, lá se envia uma mensagem mais atrevida, um convite mais desavergonhado. Os contactos de telemóveis são listas intermináveis, dos quais tratando-se de um telefone fixo, apenas uma meia dúzia deles o teriam.

Tratando-se de um telefone fixo, um indivíduo pensaria muito antes de telefonar:
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o João. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha anda a sair com o João.
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o Aníbal. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha anda a sair com o Aníbal.
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o Filipe. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha... é uma galdéria!

À parte a vida ser mais exposta à família na era das velhas tecnologias, pelo menos quando um rapaz ligava para casa vencendo o "Monstro Pai", a rapariga ganhava logo alguma segurança em relação às intenções do moço em questão.
Com as novas tecnologias, e afogada em tantas mensagens, nunca se sabe exactamente se aquelas curtas linhas cheias de abreviaturas, estão ou não cheias de sentimentos!

Contra toda a matemática, mais com mais dá menos!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Furos nas orelhas

Quando passamos cerca de um ano sem usar brincos, os furos nas orelhas acabam por quase fechar.

Quando se volta a pôr brincos, dói sempre um bocadinho e é preciso forçar a entrada.

Gosto muito de usar brincos, mas passado tanto tempo dá-me um certo receio...

O melhor mesmo era nunca ter deixado de os usar!

domingo, 18 de maio de 2008

Razão

Era uma vez um casal de namorados que se dirigia de carro para casa de um amigo.
Nenhum dos dois conhecia o caminho, pois era a primeira vez que lá iam.
Enquanto o rapaz conduzia, a rapariga ia dando as instruções do caminho que tinha apontado num papel. Chegados a um entroncamento, não sabiam para qual dos dois lados virar: ela dizia que era para a direita, pois recordava-se de ter ouvido falar qualquer coisa sobre aquele lugar, mas ele achava que era para a esquerda, pois tinha essa impressão.
Após discutirem um bocadinho, ela disse: "Deves ter razão, vamos pela esquerda!"

Seguiram então pela esquerda. Passado um bom bocado, ambos deram conta de que estavam perdidos, e realmente o caminho correcto era o da direita.
Constatados os factos, ele perguntou: "Se sabias que virar à direita é que estava bem, porque me deixaste ir pelo da esquerda?"

Ao que ela respondeu: "Sabia que se continuassemos a discutir iamos acabar chateados, então fiz-te a vontade. - Porque é mais importante ser feliz, do que ter razão!"

Concordam?

(Isto contado por mim, que sou mais teimosa que um burro, até tem piada...)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

P&S

Naquela noite, tudo o que eu desejava era um abraço teu.
Tu estavas ali, à minha frente, mas nem por sombras estavas perto de mim.
Nada eu podia querer mais, que o teu calor e a tua companhia naquela noite.
Mas tu estavas ali, perante mim, mas longe, longe.

Ainda bem que assim foi, porque por mais perto que eu quisesse ter-te, ter-te-ia afastado.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A Persistência


A persistência é a maior de todas as armas: umas vezes mata a presa, outras vezes o caçador!

No quadro da Persistência da Memória de Dali, as imagens aparecem desfiguradas, tal como as memórias dos persistentes.

O que um dia foi bom, hoje já é espectacular!

Qual das duas deixa mais marcas:
As relações
ou
As memórias confusas do que deixou de ser?

Saltarei sempre de costas: o importante é ter uma boa rede.