
As novas tecnologias facilitam muito as relações; ou pelos menos agilizam. Passamos o dia a trocar mensagens com os amigos, falamos com toda a gente pelo MSN quando estamos longe, e quando estamos perto, continuamos a falar com todos pelo mesmo meio.
Quem não viveu o advento do IRC em que era aliciante falar com estranhos, que de repente sabiam mais sobre nós que os nossos próprios pais!?
Por detrás de um computador somos mais desinibidos, dizemos coisas que na realidade nos fariam corar e entrar pelo chão dentro! - A "corte descarada" é mais fácil.
Depois surgem promoções de 1500 SMS por semana! (Existirá alguém que ultrapasse este limite?)
Tantos SMS dão para tudo! As SMS de "Bom dia", as SMS de "tenho saudades", as SMS de "anda ter cmg", as SMS de "Boa Noite", logo seguida de outra que completa a primeira: "Meu Amor!", e outra que diga "Bons Sonhos", e depois a resposta pronta de "Para ti tb", e uma seguinte: "sonha cmg", com a resposta "sonho smp", e etc, etc, etc, etc, etc, etc... e com isto menos 30 minutos de sono!
É mais fácil expressar sentimentos instantâneos, sentimentos que seriam guardados, para uma partilha mais íntima e pessoal, mais tarde.
Ao mais pequeno interesse, lá se envia uma mensagem mais atrevida, um convite mais desavergonhado. Os contactos de telemóveis são listas intermináveis, dos quais tratando-se de um telefone fixo, apenas uma meia dúzia deles o teriam.
Tratando-se de um telefone fixo, um indivíduo pensaria muito antes de telefonar:
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o João. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha anda a sair com o João.
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o Aníbal. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha anda a sair com o Aníbal.
"Estou sim, Sr. Ferreira? É o Filipe. A sua filha está? Queria falar com ela..."
(O Sr. Ferreira passa o telefone à filha, que fica 1h à conversa.)
Com isto, o Sr. Ferreira já ficou a saber que a sua filha... é uma galdéria!
À parte a vida ser mais exposta à família na era das velhas tecnologias, pelo menos quando um rapaz ligava para casa vencendo o "Monstro Pai", a rapariga ganhava logo alguma segurança em relação às intenções do moço em questão.
Com as novas tecnologias, e afogada em tantas mensagens, nunca se sabe exactamente se aquelas curtas linhas cheias de abreviaturas, estão ou não cheias de sentimentos!
Contra toda a matemática, mais com mais dá menos!

