Divirto-me a ver a minha vida acontecer por episódios.
Se é frequente que pessoas digam: "A minha vida dava um filme", pois eu digo que a minha dava uma série.
Às vezes determinados acontecimentos, são vividos exactamente como se de uma série se tratasse; consigo mesmo muitas vezes, durante o próprio decorrer das coisas identificar o início, o meio e o fim do episódio. Tento que os episódios tenham todos um final feliz - para não desiludir os espectadores!, outras alturas há que o episódio tem um fim meio desconsolado, como aqueles em que ficamos a pensar "Então, mas é assim? Acabou? Não há mais?".
A esses segue-se um novo dia e um novo episódio, eventualmente com uma história mais interessante.
Gosto de relembrar os episódios com o distanciamento de quem vê uma série: acompanho os passos das personagens, odeio umas e fico fã de outras. Por vezes critico o desenrolar da história, e penso que devia ser de outra maneira.
Contrariamente ao que possam pensar, nem sempre sou eu a personagem principal. Há dias em que me remeto à condição de figurante, intervindo apenas em algumas cenas. Nesses dias, tiro férias e fico a observar os outros. Gosto de entrar num esquema de suposição e tentar imaginar como decorreria a vida daquelas pessoas se eu não estivesse ali naquele preciso momento; o que estariam a fazer, de que falariam. Seria tudo igual?
Às vezes chego a essa conclusão, rendo-me à evidência de que ninguém é insubstituível, e relembro aquilo de que às vezes me esqueço: que sou a personagem principal apenas da minha vida, e mesmo dessa nem sempre. :)

1 comentário:
quando não estás lá, normalmente, as pessoas falam mal de ti.
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