Cruzaram-se numa mega superfície comercial, dessas como há muitas, muitos anos depois da última vez que se tinham visto. Ambos desviaram o olhar e fizeram os possíveis para que tal não voltasse a acontecer – cada um teve a sua vergonha.
Ele vergonha do escroque que foi, e ela vergonha de ter dado hipótese a um escroque de demonstrar a plenitude da sua mediocridade.
Cada um seguiu o seu caminho. Ele a lamentar ter deixado escapar aquele monumento, enquanto segurava a mão de uma rapariga que lembrava vagamente a primeira (entenda-se por “vagamente parecido”, algo como Dolce & Gabanna e Dolce & Cabana). Ela, feliz pela adolescência ser uma sequência de acidentes que só acontece uma vez na vida.

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