- Mas não gostas do teu trabalho?
- Claro que gosto do meu trabalho, mas não é isto que eu quero fazer a vida toda, e não me venhas dizer que tu queres!
- O problema é que chegamos a uma altura da vida em que já temos muitas obrigações, e não podemos trocar o certo pelo incerto.
- Por isso é que tenho que aproveitar agora, que ainda não tenho nenhuma obrigação, para definir o que quero fazer!
Hoje em dia, algumas mulheres sentem-se revoltadas porque a sociedade impõe que sejam profissionais capazes, mulheres cuidadas, femininas, e mães. Boas mães, além de tudo.
Pessoalmente, não sinto isso como imposição, mas como uma coisa que realmente gostaria de fazer. A minha mãe teve quatro filhas e nunca deixou de trabalhar ou de ser uma senhora bem cuidada, e tenho esse exemplo para me inspirar. A profissão que a minha mãe escolheu, é mais dada à família do que a que eu escolhi, mesmo assim, não há impossíveis.
Há uma idade ideal, biologicamente e pedagogicamente, para ter filhos. Do meu ponto de vista, o que angustia certas mulheres, não é a "sociedade" dizer-lhes que estão na idade de ter filhos, é sentirem isso, e simultaneamente terem tantas outras coisas que precisam de fazer antes da maternidade, que só sentem o tempo a fugir-lhes sem controlo.
Planeamento, eu diria que é a solução, do ponto de vista de uma mulher que ainda não está nessa idade. Veremos.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Não dormi nada, nem deixei ninguém dormir, por causa desta maldita tosse que me atormentou a noite toda como se não houvesse amanhã.
Já não me sinto tão frágil desde o primeiro ano da faculdade, quando tive uma infecção pulmonar e o meu professor de análise matemática me mandou para casa. Agora ninguém me vai mandar para casa, porque já não sou pequenina. (Ou se o fizerem é por receio que eu contamine toda a empresa com uma tuberculose!)
Queria ser pequenina, para ficar em casa de pijama a ver desenhos animados, com a minha mãe a dar-me os xaropes à hora certa. Mas já não sou pequenina, e dos crescidos ninguém toma conta. Dos crescidos com tosse, as pessoas afastam-se para não apanharem alguma moléstia.
Felizmente o dia amanheceu bonito, e a minha profissão obriga-me a respirar o ar puro, ou nem por isso, logo pela manhã, o que me vai enrijecer.
Queria ser pequenina, e queria que tomassem conta de mim.
Já não me sinto tão frágil desde o primeiro ano da faculdade, quando tive uma infecção pulmonar e o meu professor de análise matemática me mandou para casa. Agora ninguém me vai mandar para casa, porque já não sou pequenina. (Ou se o fizerem é por receio que eu contamine toda a empresa com uma tuberculose!)
Queria ser pequenina, para ficar em casa de pijama a ver desenhos animados, com a minha mãe a dar-me os xaropes à hora certa. Mas já não sou pequenina, e dos crescidos ninguém toma conta. Dos crescidos com tosse, as pessoas afastam-se para não apanharem alguma moléstia.
Felizmente o dia amanheceu bonito, e a minha profissão obriga-me a respirar o ar puro, ou nem por isso, logo pela manhã, o que me vai enrijecer.
Queria ser pequenina, e queria que tomassem conta de mim.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
"Papá, tens dinheiro para mim?"
E o meu pai lá ia à carteira e tirava ou uma moeda ou uma nota de 500 escudos, que eu amarfanhava na minha mãozinha papuda, enquanto me dizia: "Vê se poupas, mas não passes necessidade!"
E era assim que eu geria, com o ar sério e o tom grave da voz do meu pai na mente. Poupava sem passar necessidades. Na verdade, 500 escudos davam para muuuiiiito tempo, tendo em conta que os meus únicos gastos eram os lanches da manhã e nem sempre, porque quase sempre ficava-me com o lanche de casa.
Apesar dos meus esforços, era considerada gastadora. Se os 500 escudos na minha mão duravam 1 mês, na mão da minha irmã duravam anos, porque todo o dinheiro que ela recebia ia direitinho para o mealheiro, de onde só saiu quando em 2000 teve que ser trocado por euros! Judia!
O meu pai não percebe muito de finanças nem de pedagogia, e acho que nunca leu o "Pai Rico, Pai Pobre", mas há expressões que as crianças captam melhor que aquilo que vem nos livros.
E o meu pai lá ia à carteira e tirava ou uma moeda ou uma nota de 500 escudos, que eu amarfanhava na minha mãozinha papuda, enquanto me dizia: "Vê se poupas, mas não passes necessidade!"
E era assim que eu geria, com o ar sério e o tom grave da voz do meu pai na mente. Poupava sem passar necessidades. Na verdade, 500 escudos davam para muuuiiiito tempo, tendo em conta que os meus únicos gastos eram os lanches da manhã e nem sempre, porque quase sempre ficava-me com o lanche de casa.
Apesar dos meus esforços, era considerada gastadora. Se os 500 escudos na minha mão duravam 1 mês, na mão da minha irmã duravam anos, porque todo o dinheiro que ela recebia ia direitinho para o mealheiro, de onde só saiu quando em 2000 teve que ser trocado por euros! Judia!
O meu pai não percebe muito de finanças nem de pedagogia, e acho que nunca leu o "Pai Rico, Pai Pobre", mas há expressões que as crianças captam melhor que aquilo que vem nos livros.
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Saltarei sempre de costas: o importante é ter uma boa rede.
