segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Papá, tens dinheiro para mim?"
E o meu pai lá ia à carteira e tirava ou uma moeda ou uma nota de 500 escudos, que eu amarfanhava na minha mãozinha papuda, enquanto me dizia: "Vê se poupas, mas não passes necessidade!"
E era assim que eu geria, com o ar sério e o tom grave da voz do meu pai na mente. Poupava sem passar necessidades. Na verdade, 500 escudos davam para muuuiiiito tempo, tendo em conta que os meus únicos gastos eram os lanches da manhã e nem sempre, porque quase sempre ficava-me com o lanche de casa.
Apesar dos meus esforços, era considerada gastadora. Se os 500 escudos na minha mão duravam 1 mês, na mão da minha irmã duravam anos, porque todo o dinheiro que ela recebia ia direitinho para o mealheiro, de onde só saiu quando em 2000 teve que ser trocado por euros! Judia!

O meu pai não percebe muito de finanças nem de pedagogia, e acho que nunca leu o "Pai Rico, Pai Pobre", mas há expressões que as crianças captam melhor que aquilo que vem nos livros.

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Saltarei sempre de costas: o importante é ter uma boa rede.